O topo da pirâmide etária mundial está se modificando. Nos últimos anos, a tecnologia vem transformando a expectativa e o modo de vida da humanidade. Imagem: Arquivo Pessoal
O geólogo Moisés Rehbin, ao analisar a demografia brasileira, explicou para o Nov(a) Idade sobre a transição da população. “O que se percebe é uma redução da base e um alargamento do topo da pirâmide etária. Isso significa que o número de idosos vem aumentando e, consequentemente, cresendo a expectativa de vida". Ele conta que o alargamento do topo da pirâmide brasileira decorre de uma melhoria das condições de vida: “há maior acesso e avanços tecnológicos na medicina e na indústria farmacêutica. Os medicamentos são mais eficientes, os estudos são mais aprofundados. Temos acesso a aparelhos e tratamentos mais sofisticados”. Ele enfatiza, também, o crescimento da medicina preventiva : “é através da medicina preventiva que se consegue evitar o desenvolvimento de doenças, tendo em vista uma melhor orientação de hábitos mais saudáveis, como a alimentação e a prática de exercícios físicos”.
Moisés também apresentou as consequências da transformação da pirâmide etária no ponto de vista sócio-econômico. “É ótimo que as pessoas envelheçam com saúde e que a expectativa de vida de vida aumente. Mas com o alargamento da pirâmide etária evidencia o aumento das demandas pela previdência social: há um maior número de indivíduos que se aposentam e requerem seus direitos do estado. Em contrapartida, o estreitamento da base da pirâmide mostra uma redução da população economicamente ativa”. Esse assunto tem tomado espaço nas economias desenvolvidas que apresentam um envelhecimento da população como, por exemplo, na União Europeia. “ Para equilibrar as duas situações, o governo poderá tomar medidas como o aumento do tempo de contribuição de trabalho e a criação de novos impostos”.
A constatação das mudanças no perfil da população brasileira tem efeitos marcantes no mercado econômico. Os idosos estão cada vez mais ativos e consumidores, comenta Moisés. Alguns setores, como o turismo e a publicidade, destacam-se nas iniciativas direcionadas a terceira idade. Esses setores estão percebendo que as pessoas com mais de sessenta anos ”além de seguirem trabalhando, querem aproveitar ao máximo o tempo de vida”, observa o geólogo.
E no Rio Grande do Sul?
A expectativa de vida do Rio Grande do Sul tem apresentado um crescimento relevante. Entre o início da década de 70 até o ano de 2006, a longevidade gaúcha aumentou em 6,75 anos. De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida rio grandense, em 1971, era de 66,05 anos. Já em 2006, subiu para 73,40 anos.
Confira o gráfico abaixo:
Os dados gaúchos são otimistas ao serem comparados com as estatísticas brasileiras. A expectativa do Rio Grande do Sul, de acordo com o Censo de 2000 é de 72 anos; enquanto, no Brasil, é de 70,5. A capital gaúcha encontra-se entre as duas estatísticas, com uma longevidade esperada de 71,5 anos. Observe a ilustração a seguir:
Victor Stephansky, estudante de Jornalismo de 62 anos, deu a sua visão sobre a evolução da expectativa de vida e sobre seus hábitos na terceira idade. Assista ao depoimento:


