sexta-feira, 18 de junho de 2010

Casamento de Adão e Santa ocorre dia 19 de junho, na zona sul da Capital

Retirado da edição nº 528, datada em 18/06/2010, do Jornal Oi.
Clique nas imagens para vê-las em melhor resolução.






Mas tu e eu, amor meu

Estamos juntos
Juntos desde a roupa às raízes
Juntos de outono
De água, de quadris
Até ser só tu, só eu
Juntos
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(P. Neruda)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Reserva de vagas de estacionamento para idosos é lei

Em 2003, o Governo Federal determinou para o Estatuto do Idoso, através da Lei n. 10.741/03, que 5% das vagas de estacionamento regulamentado em via pública (área azul) deve ser reservado aos idosos. Entretanto, foi apenas cinco anos depois - em dezembro de 2008 - que o Conselho Nacional de Trânsito uniformizou a lei, por meio da Resolução 303, instituindo também um padrão de sinalização das vagas, bem como a obrigatoriedade de credenciamento por parte do idoso beneficiado, a apresentação da credencial e a penalização caso ocorra a infração dessa regra.

Em Porto Alegre, a Empresa Publica de Transporte e Circulação implantou 50 vagas em todos os estacionamentos rotativos. Os bairros Centro Histórico, Moinhos de Vento, Bom Fim, Menino Deus, Azenha, Tristeza e Petrópolis são os que hoje abrigam esse benefício. Conversamos com o jornalista da EPTC, Cláudio Furtado:

- As vagas estão devidamente sinalizadas pelas faixas pintadas na via, localizadas em pontos mais cômodos para o deslocamento dos idosos. Por exemplo nas Ruas Duque de Caxias e Caldas Júnior, próximas de atrações culturais, de serviços e de parquímetros - informa o assessor.


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Sinalização de vagas de estacionamento exclusivas para idosos é ignorada na Capital



Os interessados em se credenciar devem procurar o Atendimento ao Cidadão da EPTC, localizado na Avenida Ipiranga, n°1.138. Após preencher a ficha de cadastro, é necessário apresentar cópias do RG, CPF e CRLV. A confecção da credencial custa R$ 13,24 e é importante destacar que não é preciso ser morador da Capital para utilizar a vantagem. Também deve ser destacado que o idoso não fica isento do pagamento no parquímetro, apenas tem sua vaga assegurada. Até o momento, cerca de 330 idosos já realizaram o cadastro.

A utilização da vaga sem o direito, o não pagamento ou não apresentação da credencial caracterizam infração leve, o que implica 3 pontos na CNH, multa de R$ 53,20 e recolhimento do veículo.


Foto por Renata Galvão
Nov(a)idade flagra: adultos não respeitam a sinalização de vaga de estacionamento exclusiva para idosos


O Atendimento ao Cidadão da EPTC funciona das 8h30 às 17h, de segunda à sexta-feira. Mais dúvidas ou informações, disque 118 de telefone fixo, móvel ou público.

Lamentos e comemorações com o reajuste dos aposentados

Na tarde de ontem (15/06/2010), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o aumento de 7,7% para os aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário mínimo. Entre comemorações e lamentos, a decisão pareceu não agradar nem aos economistas e nem aos idosos.


Rombo no Estado
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Para o super intendente da Vonpar,
Daniel Wailer, o governo brasileiro não possui condições financeiras e técnicas para viabilizar tal reajuste.

- O problema vai cair na mão da equipe econômica que vai ter de resolver de onde tirar os R$ 1,6 bilhão a mais por ano que o reajuste custará. Acho que o aumento de 7,7% não ajuda de forma eficaz o idoso e ainda provoca um rombo na conta do Estado - critica o economista de 58 anos.


Apenas R$ 9,48 a mais
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Beatriz Leitão Wernz, de 70 anos, compartilha da mesma opinião. Para a ex-professora de Ensino Fundamental, profissão que exerceu por 25 anos, o aumento dado pelo governo é uma injustiça. Ela, que já recebia R$ 600 de benefício mensal, passará a receber apenas R$ 9,48 a mais no final de cada mês.

- O que eu ganho não paga nem os meus remédios, não é o suficiente para eu me sustentar sozinha. O aposentado ganha o mínimo no Brasil e isso é injusto. Agora me deram R$ 9 a mais. E daí? Isso não paga nada, ainda nem sei o que vou fazer com esse dinheiro - reclama Beatriz.

Foto por Renata Galvão
Dona Beatriz mostra o comprovante de depósito de sua aposentadoria: o valor não cobre todas suas despesas


Moradora da cidade de Candelária, no Rio Grande do Sul, a aposentada recebe ajuda da filha mais velha e do genro para conseguir pagar as contas mensais e as despesas médicas.

- Se eu vivesse somente da minha aposentadoria, estaria doente. O idoso precisa de remédios e eles estão cada vez mais caros. Sem falar que eu não teria condições de me manter em uma moradia digna - conclui.


A Vitória da Fetapergs
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Apesar da decisão de Lula estar sendo fortemente questionada e criticada,
Osvaldo Fauerharmel, presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul (Fetapergs), faz parte do grupo que comemora o reajuste:

- Este aumento é muito significativo para todo o movimento dos aposentados e pensionistas, porque houve toda uma movimentação da Confederação, da nossa Federação e de todas as entidades da classe que trabalharam o ano inteiro para pressionar esta aprovação - afirma Fauerharmel.

Para essa minoria que defende a posição de Lula, a manutenção do reajuste de 7,7% maior que os 6,14% defendidos pelo Executivo é um reconhecimento do governo de perdas que os beneficiários da Previdência Social vêm tendo no país e, mais importante ainda, propõe que se leve em conta os critérios de tempo de contribuição e idade. Assim, os homens se aposentariam quando a soma do tempo com a idade chegasse a 95 e as mulheres quando essa soma resultasse em 85.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um tabu em debate: residencial geriátrico não é asilo

Embora muito daquela imagem antiquada de que asilos são lugares ermos, sujos e precários venha sendo desconstruída, tais estabelecimentos ainda existem por serem uma opção de amparo a idosos, sem-tetos e inválidos sem condições financeiras e sem família ou conhecidos que possam oferecer-lhes qualquer suporte.

Inclusive, esta é a principal diferença entre o asilo e o residencial geriátrico (ou casa de geriatria, como preferir): os residenciais para terceira idade são voltados unicamente para tal público e os vovôs e vovós que vivem ali não são, nem em sua minoria, pessoas solitárias.


Geriatria Copacabana: a filosofia do atendimento especializado
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O residencial geriátrico Copacabana (localizado na Praça Senador Alberto Pasqualini, 95, bairro Ipanema, em Porto Alegre) desenvolveu um novo conceito de lar para idosos. O empreendimento direciona sua equipe interdisciplinar e sua estrutura – criada exclusivamente com o foco de atender ao público da terceira idade – para oferecer um ambiente familiar e confortável, onde os moradores não são tratados de maneira diferente e, sim, diferenciada. Segundo João Denir Espíndola, 75 anos, morador do residencial, o estabelecimento sempre deixa claro que a sua principal preocupação é lidar com as competências psicomotoras dos velhinhos, isto é, faze-los interagir, desenvolver o raciocínio e se movimentar. E de fato essa é uma questão que deve ser muito trabalhada, pois o avanço da idade não necessariamente implica o declínio da inteligência, mas, sim, o que acontece é que os idosos têm um desempenho menos satisfatório das aptidões psicomotoras – o que envolve a rapidez, a agilidade e a coordenação. Já no que diz respeito à memória e à aprendizagem, os idosos têm assimilação de informações mais lenta e têm suas memórias visual e auditiva se tornam comprometidas pelo desgaste do tempo, contribuindo para que possuam a motivação diminuída em decorrência dos problemas de saúde e experiências prévias de aprendizagem. Por isso, o Copacabana possui serviços de atividades físicas, bem como de terapia ocupacional e de cabeleireiros e cuidados estéticos em geral.

Foto retirada do site oficial da casa de geriatria
Fachada do residencial Copacabana, localizado na zona sul da capital

- Tu vê, eu sou um cara que gosto de tá sempre nos trinques. Estou aqui faz pouco, nem duas semanas, e já fui duas vezes na pedicure. E vou te dizer: aproveitei e pedi pra ela tirar uns fiozinhos brancos da minha sobrancelha. Aqui é muito bom, tu sabe, porque o lugar é arejado, as vezes lembra um aras, uma coisa assim. E também tem umas moças bonitas. Digo, as que cuidam da gente, né, porque já vi que com as colegas não dá nem pra brincar. Elas são comportadas até demais – brinca João, ex-corretor de imóveis e empresário aposentado. Um outro grande diferencial do Copacabana foi também a de construir um local com uma equipe profissional atuante 24h por dia e com monitoramento médico especializado em fisiatria e geriatria exclusivo da casa. Também estão disponíveis atendimentos fisioterapêuticos e psicológicos com hora marcada ou em casos de emergência.

“É possível envelhecer mantendo a capacidade de se reinventar, de criar e de evoluir” é o lema da geriatria Copacabana e que, segundo a moradora Édina Reichert Hahn, 66 anos, é sempre relembrado pelos funcionários durante as atividades oferecidas pelo residencial:

- Os monitores, que é como a gente chama os funcionários, são muito atenciosos. As vezes até demais, querem me levar pra passear de mão. De vez em quando até eu dou uma fugida deles [risos]. A gente tá sempre pensando que, principalmente na nossa idade, é importante tá sempre criando, sempre ocupando a cabeça. Aqui temos tabelas com organização de horários para jogos de mesa, musicoterapia, sessões de cinema, bingo, missa, aula de culinária e até ginástica elaborada especialmente pra nós velhinhos. Tá vendo como aqui é chique? – comenta a professora aposentada.



Geriatria Menino Deus: 50 anos de trabalho que se tornaram tradição
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A casa de geriatria - ou, como se autodenomina, senior residence – Menino Deus é fruto da ideia e do trabalho do casal Frederico e Enedina Kiefer, que vieram do interior do Paraná para criar o empreendimento na capital gaúcha.

Em 1960, eles fundaram a casa – até então com o nome de Casa de Saúde Doutor Kiefer – que inicialmente era localizada na Rua Getúlio Vargas, 1343. Logo em 1964, a clínica alcançou dimensões tão grandes que virou o Hospital Doutor Frederico Kierfer, com uma área destinada ao atendimento de grande parcela dos moradores idosos do bairro Menino Deus. Depois, em 1975, houve a necessidade de mais espaço para desenvolver o trabalho e acompanhar a demanda da procura pelos serviços prestados. Então, Frederico e Enedina compraram um prédio na Avenida Praia de Belas, 2124, para onde mudaram o hospital. No ano de 1995, no mesmo local, surgiu o Menino Deus Senior Residence, após a ampliação do estabelecimento, criação de dois novos prédios e de apartamentos destinados à hospedagem exclusiva de idosos que necessitam de cuidados diferenciados.

Foto retirada do site do próprio estabelecimento
Entrada principal do residencial para sêniors Menino Deus, localizado na Av. Praia de Belas

Desde 2007, a geriatria Menino Deus conta com os planos de hospedagem básico, sênior, cuidado 24h e planos especiais. Para saber mais, acesse o site da casa.

Um novo atendimento para os idosos

Nos últimos anos, uma série de benefícios e atendimentos especializados voltaram-se para os idosos. Um dos mercados que vem sendo procurado e exigido por diversas famílias é o do atendimento geriátrico. As antigas geriatrias reformularam seus conceitos, transformando a ideia de "asilos" em verdadeiros residenciais para a terceira idade. Um local onde o idoso passa a viver em torno de uma estrutura com maior assistência, lazer e conforto.

O Nov(a)idade fez um mapeamento de alguns dos residenciais e casas geriátricas de Porto Alegre e redondezas. Confira:




quarta-feira, 19 de maio de 2010

Trocando o crochê pelo computador

Uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em parceria com o Conselho Municipal do Idoso, tornou ainda mais fácil a inclusão digital na terceira idade.

O COMUI promove trimestralmente cursos de iniciação à informática para senhoras e senhores, onde as aulas são ministradas por estagiários treinados por um instrutor capacitado. Os telecentros estão espalhados por todo o município e totalizam 34 unidades, o que facilita a locomoção dos idosos até o ponto de encontro para as aulas.

Segundo Carla Gut Nassif, coordenadora geral dos telecentros, a iniciativa do secretário Nereu D'ávila é mais um instrumento para a inclusão digital na terceira idade. O sucesso do projeto reflete no número de inscrições gerenciadas pelo COMUI, que registra aproximadamente 200 interessados por mês.


Telecentro Leonardo Murialdo: vovôs computadorizados
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A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana é responsável por um projeto de ensino da informática para a terceira idade. É no Telecentro Leonardo Murialdo, na Rua Vidal de Negreiros, 583, em Porto Alegre, que a oportunidade de aprendizado para esse público é posta em prática. Lá o ensino tradicional é deixado de lado, cedendo lugar a um ambiente descontraído e focado exclusivamente na informatização de senhores e senhoras.

Na sala 6 do telecentro estão disponíveis dez computadores, os quais, a princípio, seriam utilizados por uma turma de dez alunos. Mas devido à grande procura, agora existem duas turmas– uma no turno da manhã e a outra no turno da tarde. As máquinas são divididas entre todos os alunos durante o curso e o diferencial, segundo Jairo Vaz, representante da Secretaria, é a didática de ensino especial: a escolha dos monitores do curso, assim como a linguagem do conteúdo, foram estruturadas após uma ampla pesquisa pedagógica sobre a terceira idade.

De acordo com Maria Costa Jacinto, coordenadora de ensino do Telecentro de Formação – local onde os monitores dos cursos são capacitados – é preciso, acima de tudo, ter paciência para ensinar o conteúdo e também é preciso paciência, por parte dos idosos, para aprender. Isto é, não basta apenas gostar de informática, é preciso principalmente gostar das pessoas.

- Fazia tempo que eu estava querendo aprender essas coisas de informática. Meu objetivo no curso é principalmente entender e conseguir fazer esses serviços de banco, pagamentos de contas e ficar a par da minha ficha no INSS – relatou Marilene de Souza Cardoso, 54 anos.


Assista ao vídeo:
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Uolita El Hawat, moradora do bairro Partenon, buscou o telecentro motivada pela vontade de aprender a fazer compras online, de falar com os filhos, que moram em Santa Catarina, e pela vontade de aprender a utilizar e-mail e de buscar receitas culinárias na internet. É surpreendente o entusiasmo da senhora de 78 anos que já queria saber como poderia escolher um notebook e a melhor opção de conexão com a internet.

Além do trabalho básico – 13 aulas de uma hora e meia cada com certificado –, existe a possibilidade dos alunos do Leonardo Murialdo repetirem o curso quando julgarem necessário, sem taxa alguma, e ainda agendarem para utilizar o laboratório do local por uma hora. Para finalizar o curso, é realizada a cerimônia de formatura dos estudantes de todos os telecentros de Porto Alegre.

Foto de Fernanda Ferrão Evaristo
Foi por curiosidade que as amigas Jandira, Helena, Júlia e Terezinha (da esquerda para a direita, na fila da frente) procuraram o curso de informática


Procempa: foco na psicologia de ensino do idoso
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A iniciativa, contudo, não é exclusiva do Telecentro Leonardo Murialdo. Desde 2008, também a Procempa, empresa de tecnologia de informática ligada à Prefeitura de Porto Alegre, passou a oferecer um curso gratuito de informática focado exclusivamente na terceira idade. Normalmente o número de vagas é de 33 e as aulas ocorrem no Centro de Capacitação da instituição (Telecentro Paulo Freire da Câmara Municipal de Porto Alegre).

O público alvo da Procempa é idoso, mas heterogêneo sob diversos aspectos. São selecionados os participantes quanto: à escolaridade (indo de semi-analfabetos até formados em curso superior); à habilidade digital (testada em um pequeno exame feito junto à inscrição); e quanto à destreza (analisada por profissionais capacitados e psicólogos).

- A maior parte de nós, alunos idosos, sabe de sua condição e sabe de suas limitações, o que pode servir de estímulo pra nos dedicarmos cada vez mais, mas que também muitas vezes serve como um motivo pra nos pressionarmos. No início, eu ficava muito nervosa, como se tivesse algo a provar pra mim mesma e pros outros do grupo. Mas depois, com as conversas com o professor, com o psicólogo e com os colegas, passei a assistir às aulas mais tranquila e sempre me lembrava que se todos estavam lá é porque não sabiam do assunto, queriam aprender. Passei a não ter mais vergonha de errar ou de confundir algumas palavras – comenta Jurema Soares, costureira aposentada de 63 anos e aluna do curso no ano de 2008.

Cabe ressaltar que, de acordo com a Prefeitura, os alunos desta faixa etária geralmente apresentam duas características que não podem passar despercebidas: são bastante sensíveis, isto é, qualquer forma mais formal de comunicação pode provocar desconforto e constrangimento, o que tende a resultar na desistência do curso; têm dificuldades no aprendizado por dois motivos principais – falta de habilidade motora e medo de errar. Portanto, para trabalhar bem com as questões da socialização e da capacidade de absorção das informações é indispensável a presença de profissionais da pedagogia e da psicologia ao longo do curso.

- O que leva o idoso a buscar esse tipo de ensino é, principalmente, a necessidade de convívio com próximo. Eles querem se sentir cada vez mais inseridos na família, nos assuntos dos netos, querem estar ligados com o que eles vêem na TV. É também a forma que eles encontram para fugir da solidão. Com o crescimento das redes sociais, por exemplo, eles passam a expandir o círculo de amizades e a diversificá-lo – declara Ana Maria de Souza, psicóloga formada pela Unisinos e professora especializada em terapia familiar do Instituto Fernando Pessoa.

Idosos agora também acessam redes sociais

Muitos idosos também fazem parte das redes sociais. Cada vez mais, os vovôs estão se atualizando e engrenando nos diversos sites de relacionamento. Com base no Orkut, por exemplo, o número de usuários acima de 50 anos é bastante considerável. Eles totalizam mais de 800 mil participantes.

De acordo com estatísticas publicadas pelo site americano Royal Pingdom, 3% dos usuários de redes sociais americanas sao idosos de 65 anos ou mais. 10% dos internautas são compostos por pessoas dos 55 aos 64 anos de idade. Embora os estudos sejam baseados em redes dos Estados Unidos, seus dados podem ser comparados ao já abrasileirado Orkut.

Observe no gráfico abaixo:





Entre os sites de relacionamento mais populares entre os idosos, encontramos o Classmates, com a preferência de 0,76% de usuários com 65 anos ou mais. Já o favorito entre pessoas de 55 a 64 anos e o Linkedin, com 3,07% de preferência.

**Dados retirados do site RapLeaf

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quando a moda amadurece

Não é de hoje que a moda busca novos nichos de mercado. Diante de um mundo que evolui proporcionando qualidade de vida e longevidade para a terceira idade, a moda busca atrair esse diferente público que até então não era explorado. Com vovôs e vovós cada vez mais antenados, ficou quase impossível manter o estereótipo dos idosos do século passado. Hoje, eles trabalham, divertem-se, pensam no futuro, preocupam-se com o estilo e têm muita jovialidade.

Os idosos estão inseridos na moda e isto é uma forte tendência. As marcas que já compreenderam esse sinal comportamental tendem a ter êxito e lucro, fugindo do óbvio. De acordo com o mestre em marketing Luiz Eduardo Amaro, “[...] o público da terceira idade é cada vez mais independente, possui mais qualidade de vida e, conseqüentemente, consome mais [...]".

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Um exemplo interessante que comprova essa tendência é o desfile de Ronaldo Fraga no inverno de 2009, que trouxe para passarela crianças e idosos. Sim, o casting não contou com modelos esqueléticas e perfeitas.

Já o blog Advanced Style é totalmente voltado para as pessoas da terceira-idade e apresenta fotos, numa espécie de moda de rua em Nova York, mostrando o que interessa esse público.

Todas as imagens deste post foram retiradas do site Advanced Style

**Essa matéria foi escrita pela colaboradora Anielle Erigson, estudante de moda do 5º semestre da Feevale.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Idade de aposentar os cardigans

Cardigans de crochê ou tricô, bermudas de tactel, blusas de colarinho bordado, saias bege até a canela, sapatênis em tons escuros, meia calça com chinelo ou sapatilha meio salto. É difícil não visualizar estes itens fazendo parte do visual de pessoas maduras quando se fala em moda para a terceira idade. O assunto ainda é pouco discutido e por motivos inclusive contraditórios: talvez por receio da inovação ou talvez pela incapacidade de inovar.

Contudo, para terminar de vez com esse tabu que ainda existe sobre o guarda-roupa de muitos idosos, foi criado o Salão da Maturidade, que normalmente ocorre em São Paulo e é voltado exclusivamente ao consumidor mais velho. Com entrada gratuita, o evento é dividido em três espaços, que agrupam empresas por afinidades de segmento: a parte de “Harmonia e bem viver”, composta por agências de turismo, lojas de decoração, seguradoras de planos de saúde, etc.; a parte de “Moda e beleza”, constituída por lojas de confecções, empresas calçadistas, distribuidoras de bijuterias, massagistas, entre outros; e a parte do “Espaço gourmet”, que possui guichês de produtos dietéticos, estandes com produtos alimentícios e bebidas, etc. O Salão ainda organiza desfiles de moda diários com modelos masculinos e femininos com mais de cinqüenta anos, workshops, palestras e mostras de produtos de beleza, além de bailes de gala e o concurso “Mulher madura”.

Foto retirada do site Mercado Competitivo
Desfile organizado pelo Salão da Maturidade, evento voltado para idosos em São Paulo


Leida Amorim, ex-professora aposentada de 68 anos, mora no bairro Santa Tereza, em Porto Alegre, e participou do último Salão da Maturidade, que já está em sua sexta edição.

- É maravilhoso. Eu sempre fui dona de um guarda-roupa mais conservador, mais certinho, né? Lá a gente aprende a montar as composições e nem sempre a gente tem que comprar mais roupa pra isso. Estudamos até história da moda, é muito legal. Arrastei meu marido e ele ficou reclamando, mas depois até participou do desfile. Sempre me preocupo em não parecer jovial demais, mas no Salão me dei conta de que também não preciso usar roupas sem graça e sem cor na minha idade – disse a aposentada.

Segundo a estudante de Moda da Feevale, Isadora Fantin, o maior erro que alguém já de certa idade pode cometer realmente é o de vestir peças evidentemente destinadas a pessoas mais jovens:

- Principalmente para a mulher idosa, que passa por algumas crises de idade e de auto-estima, é importante compor o guarda-roupa também com roupas modernas, mas é preciso manter o bom senso. Quantas vezes estamos no shopping e observamos senhoras usando mini-saias que, em dadas situações, não são vestidas nem por uma adolescente? Além de vulgar, o visual fica agressivo e sem sentido.

Como sempre, o bom senso é o fator que impera nas tomadas de decisões. É sempre importante vestir-se de valorizar o formato do corpo de cada pessoa e também de maneira a valorizar, ou então minimizar, os sinais da chegada da idade, como flacidez ou pequenos problemas de pele. O ideal é achar um estilo próprio que seja confortável e ao mesmo tempo versátil e aproveitar a democracia que a moda propõem, como diz o blog VVitrine.

**Essa matéria foi escrita pela colaboradora Karina Melleu, estudante, 20 anos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O velho Bom Fim

Um dos bairros mais antigos de Porto Alegre concentra também um grande número de idosos. O bairro Bom Fim foi fundado em 1959 e localiza-se na região centro-oestre da capital.

Imagem retirada do Google Maps

O antigo Campo da Várzea, conhecido por reunir jovens acostumados a aproveitar um bom domingo de sol ou até noites agradáveis de inverno, é uma região popularmente conhecida também por acolher grande número de idosos.

Na condição de um dos mais antigos bairros de Porto Alegre, o local oferece inúmeras opções ao público que, se não habita, freqüenta o “Bonfa”. Para os mais simplistas, há o Brique da Redenção, que acontece todos os domingos desde 1983, na Rua José Bonifácio. Para os mais tradicionais, existem as quadras de bocha, que estão no parque da Redenção ou nos arredores da Praça Júlio de Castilhos. Os mais modernos e afoitos têm a opção de participar das atividades organizadas pela sociedade Hebraica, sob o comando de Maria Dorfman, e pelo tablado Andaluz – onde os “jovens” podem dançar e brindar a vida com um chá.

Para Stela Pereira, 39 anos, porta-voz da casa de geriatria Bom Fim, esse é um dos bairros onde mais percebemos a presença de idosos, pois é um dos mais antigos da cidade: “Ele foi um dos primeiros a ser criado. Fora que aqui também tem a Redenção, que é perto do centro”. Ela pondera ainda sobre os pacientes da instalação onde trabalha: em regra, os idosos de lá possuem parentes por perto, por isso optam pelo bairro tão tranqüilo, com ares de interior no final de semana. “Por aqui tem a UFRGS, algumas escolas e antiquários, mas eles gostam mesmo é de ir, quando podem, à capela Nosso Senhor Jesus do Bom Fim ou então às sinagogas”, finaliza.


Imagem divulgada pela prefeitura de Porto Alegre
O Parque Farroupilha é um dos atrativos do bairro Bom Fim


- O Bom Fim, para mim, não é só um bairro, é o que eu vivo.

A aposentada Joana Gomes Almeida tem 67 anos e é moradora do famoso “Bonfa” desde os seus 54. Antes vivia na Zona Norte, aos arredores do hospital Cristo Redentor, e diz que, com a chegada de sua terceira idade, resolveu se mudar para um apartamento de quatro dormitórios na rua Osvaldo Aranha, pois sempre teve curiosidade em relação à fama do bairro, conhecido por oferecer uma excelente infra-estrutura aos idosos. O que mais chamou sua atenção ali foi o fato de tudo ser perto. Ela explica:

- Nunca gostei muito de bater perna por aí, sou daquele tipo de velhinha que é o mais velha que puder ser. Aqui as vezes mal preciso atravessar a rua. Tomo um café na livraria, volta e meia chego pra acompanhar os saraus que eles fazem, passeio com a Ondina [sua poodle] na Redenção, compro o pão no Zaffari. É um bairro prático.

A ex-assistente social, aposentada há treze anos, gostou tanto do bairro que hoje é um dos setenta e quatro integrantes da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim. O grupo foi criado com o objetivo de facilitar a socialização dos moradores do bairro, mas, atualmente, extrapolou esse desígnio: os integrantes unidos agora são uma voz social ativa, visto que a Associação interage diretamente com o Estado, interferindo nas questões da segurança, saúde, infra-estrutura e sinalização de trânsito do bairro. O atual presidente da AABBF, Milton Gerson, junto com o presidente do Conselho Comunitário do Bairro Bom Fim, Alexandre Alves, abre constantemente pedidos de Audiência Pública – como a ocorrida no dia 5 de maio do ano passado no 4º Distrito (leia aqui) com a finalidade de mobilizar a comunidade e pressionar as autoridades por melhores condições de segurança no dia-a-dia dos moradores.

- Eu apoio e presencio as ações que a Associação organiza sempre que dá. Acho que esse é mesmo o ponto fraco daqui. Falta segurança, esse parque [da Redenção] é danado até de dia. Se a gente bobear, passa um pivete e leva a tua bolsa. De noite, falta iluminação. É um absurdo - comenta ainda a idosa.

A sede da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim fica na Rua Felipe Camarão, 649. Para mais informações, ligue para (51) 33114573.

O Bom Fim dos imigrantes e colonizadores judaicos se tornou também o bom fim dos idosos e é um dos bairros mais bem quistos pela Nov(a)idade.

Dona Francisa: 80 anos de Bom Fim

Foto por Renata Galvão


Um bairro pacato coberto por árvores e formado por algumas residências, pequenas lojas e poucas oficinas. Esse foi o cenário que Ana Francisca da Rosa Moacir, 98 anos, se deparou há 88 anos atrás quando chegou na cidade de Porto Alegre, bairro Bom Fim.

Natural de Iraí, município localizado no norte do Rio Grande do Sul, Ana Francisca nasceu, cresceu e viveu até os nove anos em uma tribo indígena que habitava o município.

- Não recordo muito bem como eu vivia naquela época, os costumes, a rotina. Eu era muito pequena, e hoje a idade me deixou com memória seletiva. Mas lembro que era bom – comenta a senhora revirando recordações do passado.

No ano de 1922, Ana Francisca, então com 10 anos de idade, começou a trabalhar como babá da filha mais nova de uma rica família de Iraí, os Leitão. E no final desse mesmo ano, a família decidiu buscar novas oportunidades na capital do estado. O pai, a mãe, o filho mais velho, a filha mais nova e a babá de 10 anos de idade partiram para Porto Alegre.

- Nunca mais vi meus pais, e nunca consegui guardar as feições do rosto deles na memória. Na realidade, é como se eles nunca tivessem existido. Acabei me tornando parte da família Leitão, e com eles eu vivo até hoje.

Buscando novas oportunidades de vida, a família se instalou no bairro Bom Fim, onde descobriram mais tarde ser um bairro de Judeus.

- Nossa família era, sempre foi e ainda é muito católica. Chegamos no bairro e nos instalamos em uma casa não muito grande, mas também não muito pequena. A casa era perfeita para 4 pessoas, 1 babá e acho que umas 2 empregadas. Só depois de algumas semanas ficamos sabendo que o bairro era da comunidade judaica (risos). Mas a vizinhança sempre nos recebeu bem.

Ana Francisca, mais conhecida como Chica ou Chiquinha, que é como seus netos e bisnetos a chamam, viveu no bairro Bom Fim até o ano 2000, que foi quando se mudou com a neta “emprestada” Miriam Leitão, de 64 anos, para o bairro Bela Vista com o objetivo de morar mais perto dos bisnetos e tataranetos.

- Minha família fica braba comigo, mas não adianta eu não gosto deste bairro. Acho tudo muito novo, diferente, e nao encontro aqui nenhum ponto ou local que me faça lembrar do passado. Já estou com 98 anos, sou velha, e não me venha com eufemismos como idosa. Sou velha e quero me sentir em casa, sendo assim, o novo me deixa desconfortável e deslocada.

Chiquinha só gosta de deixar sua atual casa e abandonar sua cotidiana leitura da Bíblia, ou do livro do paraíso como chama, para passear com a neta no Parque da Redenção.

- A Chica adora o bairro Bom Fim, lá ela se sente mais a vontade. O triste é que ela não encontra mais os velhos conhecidos, pois todos já faleceram. Mas mesmo sem ver os antigos amigos, só o fato de andar pelo parque e caminhar pelas ruas que ela caminhou por quase 80 anos ela já fica contente – explica Miriam, filha de Célia Leitão, menina que Chica foi babá des dos 10 anos de idade.

Para Ana Francisca, alem da óbvia urbanização, o Bom Fim de 1922 não mudou tanto assim em comparação ao Bom Fim de 2010.

- É claro que existe mais construções, mais carros, menos natureza e mais pobreza. Porém, o ar interiorano e tranqüilo do bairro continua o mesmo. Isso na minha visão de pessoa velha, né. Meus bisnetos já me falaram que lá tem muita “noite” boa, mas eu só enxergo a calmaria – brinca.

A babá de 10 anos que entrou para a família Leitão e com eles vive até hoje, teve por quase 80 anos o bairro Bom Fim como moradia. Para ela, as ruas bucólicas, as construções nostálgicas e o “pequeno vasto verde” que cobre o bairro Bom Fim são sinônimos de algo chamado casa.

domingo, 11 de abril de 2010

Idosos participam da campanha pelo Novo Sinal de trânsito

Foto: Rafaela Ferreira/PMPA

A segunda fase da campanha pelo Novo Sinal de trânsito de Porto Alegre recebeu, na última semana, um novo grupo de colaboradores. O Grupo de Apoio aos Idosos do Hospital Conceição teve a iniciativa de ajudar na divulgação da ação educativa promovida pela EPTC. Saiba mais aqui.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A demografia da Terceira Idade

Fotografia: Dovilio Junior / Divulgação
O topo da pirâmide etária mundial está se modificando. Nos últimos anos, a tecnologia vem transformando a expectativa e o modo de vida da humanidade.
Imagem: Arquivo Pessoal
O geólogo Moisés Rehbin, ao analisar a demografia brasileira, explicou para o Nov(a) Idade sobre a transição da população. “O que se percebe é uma redução da base e um alargamento do topo da pirâmide etária. Isso significa que o número de idosos vem aumentando e, consequentemente, cresendo a expectativa de vida". Ele conta que o alargamento do topo da pirâmide brasileira decorre de uma melhoria das condições de vida: “há maior acesso e avanços tecnológicos na medicina e na indústria farmacêutica. Os medicamentos são mais eficientes, os estudos são mais aprofundados. Temos acesso a aparelhos e tratamentos mais sofisticados”. Ele enfatiza, também, o crescimento da medicina preventiva : “é através da medicina preventiva que se consegue evitar o desenvolvimento de doenças, tendo em vista uma melhor orientação de hábitos mais saudáveis, como a alimentação e a prática de exercícios físicos”.

Observe as mudanças na pirâmide etária brasileira com base nos Censos Demográficos de 1991, 1980 e 2000:
Gráficos: IBGE
O que pode mudar:
Moisés também apresentou as consequências da transformação da pirâmide etária no ponto de vista sócio-econômico. “É ótimo que as pessoas envelheçam com saúde e que a expectativa de vida de vida aumente. Mas com o alargamento da pirâmide etária evidencia o aumento das demandas pela previdência social: há um maior número de indivíduos que se aposentam e requerem seus direitos do estado. Em contrapartida, o estreitamento da base da pirâmide mostra uma redução da população economicamente ativa”. Esse assunto tem tomado espaço nas economias desenvolvidas que apresentam um envelhecimento da população como, por exemplo, na União Europeia. “ Para equilibrar as duas situações, o governo poderá tomar medidas como o aumento do tempo de contribuição de trabalho e a criação de novos impostos”.


A constatação das mudanças no perfil da população brasileira tem efeitos marcantes no mercado econômico. Os idosos estão cada vez mais ativos e consumidores, comenta Moisés. Alguns setores, como o turismo e a publicidade, destacam-se nas iniciativas direcionadas a terceira idade. Esses setores estão percebendo que as pessoas com mais de sessenta anos ”além de seguirem trabalhando, querem aproveitar ao máximo o tempo de vida”, observa o geólogo.

E no Rio Grande do Sul?

A expectativa de vida do Rio Grande do Sul tem apresentado um crescimento relevante. Entre o início da década de 70 até o ano de 2006, a longevidade gaúcha aumentou em 6,75 anos. De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida rio grandense, em 1971, era de 66,05 anos. Já em 2006, subiu para 73,40 anos.
Confira o gráfico abaixo:


Os dados gaúchos são otimistas ao serem comparados com as estatísticas brasileiras. A expectativa do Rio Grande do Sul, de acordo com o Censo de 2000 é de 72 anos; enquanto, no Brasil, é de 70,5. A capital gaúcha encontra-se entre as duas estatísticas, com uma longevidade esperada de 71,5 anos. Observe a ilustração a seguir:


Victor Stephansky, estudante de Jornalismo de 62 anos, deu a sua visão sobre a evolução da expectativa de vida e sobre seus hábitos na terceira idade. Assista ao depoimento:



quarta-feira, 24 de março de 2010

Bem-vindo à Nov(a) Idade

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O topo da pirâmide etária mundial está se modificando. Nos últimos anos, a tecnologia vem transformando a expectativa e o modo de vida da humanidade. Estar na terceira idade, hoje em dia, não é ser velho: é viver uma etapa que, cada vez mais, ganha espaço na publicidade, na mídia e na realidade. Estamos propondo um novo conceito de velhice: uma nova idade.


Grupo:
Carolina Petry Matzenbacher
Fernanda Ferrão Evaristo
Mariana Melleu
Renata Furst Galvão
Tauana Saldanha





Cadeira: Jornalismo Digital
Professores: André Pase e Caroline de Mello
Famecos - PUCRS