quarta-feira, 14 de abril de 2010

O velho Bom Fim

Um dos bairros mais antigos de Porto Alegre concentra também um grande número de idosos. O bairro Bom Fim foi fundado em 1959 e localiza-se na região centro-oestre da capital.

Imagem retirada do Google Maps

O antigo Campo da Várzea, conhecido por reunir jovens acostumados a aproveitar um bom domingo de sol ou até noites agradáveis de inverno, é uma região popularmente conhecida também por acolher grande número de idosos.

Na condição de um dos mais antigos bairros de Porto Alegre, o local oferece inúmeras opções ao público que, se não habita, freqüenta o “Bonfa”. Para os mais simplistas, há o Brique da Redenção, que acontece todos os domingos desde 1983, na Rua José Bonifácio. Para os mais tradicionais, existem as quadras de bocha, que estão no parque da Redenção ou nos arredores da Praça Júlio de Castilhos. Os mais modernos e afoitos têm a opção de participar das atividades organizadas pela sociedade Hebraica, sob o comando de Maria Dorfman, e pelo tablado Andaluz – onde os “jovens” podem dançar e brindar a vida com um chá.

Para Stela Pereira, 39 anos, porta-voz da casa de geriatria Bom Fim, esse é um dos bairros onde mais percebemos a presença de idosos, pois é um dos mais antigos da cidade: “Ele foi um dos primeiros a ser criado. Fora que aqui também tem a Redenção, que é perto do centro”. Ela pondera ainda sobre os pacientes da instalação onde trabalha: em regra, os idosos de lá possuem parentes por perto, por isso optam pelo bairro tão tranqüilo, com ares de interior no final de semana. “Por aqui tem a UFRGS, algumas escolas e antiquários, mas eles gostam mesmo é de ir, quando podem, à capela Nosso Senhor Jesus do Bom Fim ou então às sinagogas”, finaliza.


Imagem divulgada pela prefeitura de Porto Alegre
O Parque Farroupilha é um dos atrativos do bairro Bom Fim


- O Bom Fim, para mim, não é só um bairro, é o que eu vivo.

A aposentada Joana Gomes Almeida tem 67 anos e é moradora do famoso “Bonfa” desde os seus 54. Antes vivia na Zona Norte, aos arredores do hospital Cristo Redentor, e diz que, com a chegada de sua terceira idade, resolveu se mudar para um apartamento de quatro dormitórios na rua Osvaldo Aranha, pois sempre teve curiosidade em relação à fama do bairro, conhecido por oferecer uma excelente infra-estrutura aos idosos. O que mais chamou sua atenção ali foi o fato de tudo ser perto. Ela explica:

- Nunca gostei muito de bater perna por aí, sou daquele tipo de velhinha que é o mais velha que puder ser. Aqui as vezes mal preciso atravessar a rua. Tomo um café na livraria, volta e meia chego pra acompanhar os saraus que eles fazem, passeio com a Ondina [sua poodle] na Redenção, compro o pão no Zaffari. É um bairro prático.

A ex-assistente social, aposentada há treze anos, gostou tanto do bairro que hoje é um dos setenta e quatro integrantes da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim. O grupo foi criado com o objetivo de facilitar a socialização dos moradores do bairro, mas, atualmente, extrapolou esse desígnio: os integrantes unidos agora são uma voz social ativa, visto que a Associação interage diretamente com o Estado, interferindo nas questões da segurança, saúde, infra-estrutura e sinalização de trânsito do bairro. O atual presidente da AABBF, Milton Gerson, junto com o presidente do Conselho Comunitário do Bairro Bom Fim, Alexandre Alves, abre constantemente pedidos de Audiência Pública – como a ocorrida no dia 5 de maio do ano passado no 4º Distrito (leia aqui) com a finalidade de mobilizar a comunidade e pressionar as autoridades por melhores condições de segurança no dia-a-dia dos moradores.

- Eu apoio e presencio as ações que a Associação organiza sempre que dá. Acho que esse é mesmo o ponto fraco daqui. Falta segurança, esse parque [da Redenção] é danado até de dia. Se a gente bobear, passa um pivete e leva a tua bolsa. De noite, falta iluminação. É um absurdo - comenta ainda a idosa.

A sede da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim fica na Rua Felipe Camarão, 649. Para mais informações, ligue para (51) 33114573.

O Bom Fim dos imigrantes e colonizadores judaicos se tornou também o bom fim dos idosos e é um dos bairros mais bem quistos pela Nov(a)idade.

Dona Francisa: 80 anos de Bom Fim

Foto por Renata Galvão


Um bairro pacato coberto por árvores e formado por algumas residências, pequenas lojas e poucas oficinas. Esse foi o cenário que Ana Francisca da Rosa Moacir, 98 anos, se deparou há 88 anos atrás quando chegou na cidade de Porto Alegre, bairro Bom Fim.

Natural de Iraí, município localizado no norte do Rio Grande do Sul, Ana Francisca nasceu, cresceu e viveu até os nove anos em uma tribo indígena que habitava o município.

- Não recordo muito bem como eu vivia naquela época, os costumes, a rotina. Eu era muito pequena, e hoje a idade me deixou com memória seletiva. Mas lembro que era bom – comenta a senhora revirando recordações do passado.

No ano de 1922, Ana Francisca, então com 10 anos de idade, começou a trabalhar como babá da filha mais nova de uma rica família de Iraí, os Leitão. E no final desse mesmo ano, a família decidiu buscar novas oportunidades na capital do estado. O pai, a mãe, o filho mais velho, a filha mais nova e a babá de 10 anos de idade partiram para Porto Alegre.

- Nunca mais vi meus pais, e nunca consegui guardar as feições do rosto deles na memória. Na realidade, é como se eles nunca tivessem existido. Acabei me tornando parte da família Leitão, e com eles eu vivo até hoje.

Buscando novas oportunidades de vida, a família se instalou no bairro Bom Fim, onde descobriram mais tarde ser um bairro de Judeus.

- Nossa família era, sempre foi e ainda é muito católica. Chegamos no bairro e nos instalamos em uma casa não muito grande, mas também não muito pequena. A casa era perfeita para 4 pessoas, 1 babá e acho que umas 2 empregadas. Só depois de algumas semanas ficamos sabendo que o bairro era da comunidade judaica (risos). Mas a vizinhança sempre nos recebeu bem.

Ana Francisca, mais conhecida como Chica ou Chiquinha, que é como seus netos e bisnetos a chamam, viveu no bairro Bom Fim até o ano 2000, que foi quando se mudou com a neta “emprestada” Miriam Leitão, de 64 anos, para o bairro Bela Vista com o objetivo de morar mais perto dos bisnetos e tataranetos.

- Minha família fica braba comigo, mas não adianta eu não gosto deste bairro. Acho tudo muito novo, diferente, e nao encontro aqui nenhum ponto ou local que me faça lembrar do passado. Já estou com 98 anos, sou velha, e não me venha com eufemismos como idosa. Sou velha e quero me sentir em casa, sendo assim, o novo me deixa desconfortável e deslocada.

Chiquinha só gosta de deixar sua atual casa e abandonar sua cotidiana leitura da Bíblia, ou do livro do paraíso como chama, para passear com a neta no Parque da Redenção.

- A Chica adora o bairro Bom Fim, lá ela se sente mais a vontade. O triste é que ela não encontra mais os velhos conhecidos, pois todos já faleceram. Mas mesmo sem ver os antigos amigos, só o fato de andar pelo parque e caminhar pelas ruas que ela caminhou por quase 80 anos ela já fica contente – explica Miriam, filha de Célia Leitão, menina que Chica foi babá des dos 10 anos de idade.

Para Ana Francisca, alem da óbvia urbanização, o Bom Fim de 1922 não mudou tanto assim em comparação ao Bom Fim de 2010.

- É claro que existe mais construções, mais carros, menos natureza e mais pobreza. Porém, o ar interiorano e tranqüilo do bairro continua o mesmo. Isso na minha visão de pessoa velha, né. Meus bisnetos já me falaram que lá tem muita “noite” boa, mas eu só enxergo a calmaria – brinca.

A babá de 10 anos que entrou para a família Leitão e com eles vive até hoje, teve por quase 80 anos o bairro Bom Fim como moradia. Para ela, as ruas bucólicas, as construções nostálgicas e o “pequeno vasto verde” que cobre o bairro Bom Fim são sinônimos de algo chamado casa.

domingo, 11 de abril de 2010

Idosos participam da campanha pelo Novo Sinal de trânsito

Foto: Rafaela Ferreira/PMPA

A segunda fase da campanha pelo Novo Sinal de trânsito de Porto Alegre recebeu, na última semana, um novo grupo de colaboradores. O Grupo de Apoio aos Idosos do Hospital Conceição teve a iniciativa de ajudar na divulgação da ação educativa promovida pela EPTC. Saiba mais aqui.