quarta-feira, 5 de maio de 2010

Idade de aposentar os cardigans

Cardigans de crochê ou tricô, bermudas de tactel, blusas de colarinho bordado, saias bege até a canela, sapatênis em tons escuros, meia calça com chinelo ou sapatilha meio salto. É difícil não visualizar estes itens fazendo parte do visual de pessoas maduras quando se fala em moda para a terceira idade. O assunto ainda é pouco discutido e por motivos inclusive contraditórios: talvez por receio da inovação ou talvez pela incapacidade de inovar.

Contudo, para terminar de vez com esse tabu que ainda existe sobre o guarda-roupa de muitos idosos, foi criado o Salão da Maturidade, que normalmente ocorre em São Paulo e é voltado exclusivamente ao consumidor mais velho. Com entrada gratuita, o evento é dividido em três espaços, que agrupam empresas por afinidades de segmento: a parte de “Harmonia e bem viver”, composta por agências de turismo, lojas de decoração, seguradoras de planos de saúde, etc.; a parte de “Moda e beleza”, constituída por lojas de confecções, empresas calçadistas, distribuidoras de bijuterias, massagistas, entre outros; e a parte do “Espaço gourmet”, que possui guichês de produtos dietéticos, estandes com produtos alimentícios e bebidas, etc. O Salão ainda organiza desfiles de moda diários com modelos masculinos e femininos com mais de cinqüenta anos, workshops, palestras e mostras de produtos de beleza, além de bailes de gala e o concurso “Mulher madura”.

Foto retirada do site Mercado Competitivo
Desfile organizado pelo Salão da Maturidade, evento voltado para idosos em São Paulo


Leida Amorim, ex-professora aposentada de 68 anos, mora no bairro Santa Tereza, em Porto Alegre, e participou do último Salão da Maturidade, que já está em sua sexta edição.

- É maravilhoso. Eu sempre fui dona de um guarda-roupa mais conservador, mais certinho, né? Lá a gente aprende a montar as composições e nem sempre a gente tem que comprar mais roupa pra isso. Estudamos até história da moda, é muito legal. Arrastei meu marido e ele ficou reclamando, mas depois até participou do desfile. Sempre me preocupo em não parecer jovial demais, mas no Salão me dei conta de que também não preciso usar roupas sem graça e sem cor na minha idade – disse a aposentada.

Segundo a estudante de Moda da Feevale, Isadora Fantin, o maior erro que alguém já de certa idade pode cometer realmente é o de vestir peças evidentemente destinadas a pessoas mais jovens:

- Principalmente para a mulher idosa, que passa por algumas crises de idade e de auto-estima, é importante compor o guarda-roupa também com roupas modernas, mas é preciso manter o bom senso. Quantas vezes estamos no shopping e observamos senhoras usando mini-saias que, em dadas situações, não são vestidas nem por uma adolescente? Além de vulgar, o visual fica agressivo e sem sentido.

Como sempre, o bom senso é o fator que impera nas tomadas de decisões. É sempre importante vestir-se de valorizar o formato do corpo de cada pessoa e também de maneira a valorizar, ou então minimizar, os sinais da chegada da idade, como flacidez ou pequenos problemas de pele. O ideal é achar um estilo próprio que seja confortável e ao mesmo tempo versátil e aproveitar a democracia que a moda propõem, como diz o blog VVitrine.

**Essa matéria foi escrita pela colaboradora Karina Melleu, estudante, 20 anos.

Um comentário:

  1. A Ka se puxou, hein? Gostei muito. O conceito dos cardigans é totalmente ultrapassado, nada melhor que inovar e renovar o guarda roupa.

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