Na tarde de ontem (15/06/2010), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o aumento de 7,7% para os aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário mínimo. Entre comemorações e lamentos, a decisão pareceu não agradar nem aos economistas e nem aos idosos.
Rombo no Estado
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Para o super intendente da Vonpar, Daniel Wailer, o governo brasileiro não possui condições financeiras e técnicas para viabilizar tal reajuste.
- O problema vai cair na mão da equipe econômica que vai ter de resolver de onde tirar os R$ 1,6 bilhão a mais por ano que o reajuste custará. Acho que o aumento de 7,7% não ajuda de forma eficaz o idoso e ainda provoca um rombo na conta do Estado - critica o economista de 58 anos.
Apenas R$ 9,48 a mais
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Beatriz Leitão Wernz, de 70 anos, compartilha da mesma opinião. Para a ex-professora de Ensino Fundamental, profissão que exerceu por 25 anos, o aumento dado pelo governo é uma injustiça. Ela, que já recebia R$ 600 de benefício mensal, passará a receber apenas R$ 9,48 a mais no final de cada mês.
- O que eu ganho não paga nem os meus remédios, não é o suficiente para eu me sustentar sozinha. O aposentado ganha o mínimo no Brasil e isso é injusto. Agora me deram R$ 9 a mais. E daí? Isso não paga nada, ainda nem sei o que vou fazer com esse dinheiro - reclama Beatriz.
Foto por Renata Galvão
Moradora da cidade de Candelária, no Rio Grande do Sul, a aposentada recebe ajuda da filha mais velha e do genro para conseguir pagar as contas mensais e as despesas médicas.
- Se eu vivesse somente da minha aposentadoria, estaria doente. O idoso precisa de remédios e eles estão cada vez mais caros. Sem falar que eu não teria condições de me manter em uma moradia digna - conclui.
A Vitória da Fetapergs
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Apesar da decisão de Lula estar sendo fortemente questionada e criticada, Osvaldo Fauerharmel, presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul (Fetapergs), faz parte do grupo que comemora o reajuste:
- Este aumento é muito significativo para todo o movimento dos aposentados e pensionistas, porque houve toda uma movimentação da Confederação, da nossa Federação e de todas as entidades da classe que trabalharam o ano inteiro para pressionar esta aprovação - afirma Fauerharmel.
Para essa minoria que defende a posição de Lula, a manutenção do reajuste de 7,7% maior que os 6,14% defendidos pelo Executivo é um reconhecimento do governo de perdas que os beneficiários da Previdência Social vêm tendo no país e, mais importante ainda, propõe que se leve em conta os critérios de tempo de contribuição e idade. Assim, os homens se aposentariam quando a soma do tempo com a idade chegasse a 95 e as mulheres quando essa soma resultasse em 85.

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